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Onde morar, Tendências
7 de Fevereiro de 2020.

Centro de SP atrai novos empreendimentos e economia criativa

Depois de um longo período relegado à condição de área degradada e de pouco interesse, o Centro de São Paulo voltou, na última década, aos holofotes do mercado imobiliário. Nada parecido com os anos em que a região era, de fato, o centro comercial, administrativo e financeiro da cidade – condição que perdeu, no caso do mercado financeiro, para a avenida Paulista e, depois, para a Faria Lima. Nada disso.

O Centro, em pleno processo de revitalização, é uma região que mantém sua excelente infraestrutura, mas que hoje atrai pelo estilo de vida moderno e conectado, pela oferta de novos restaurantes, pelas empresas ligadas à economia criativa, entre outros aspectos.

Um relatório elaborado pela Secretaria Municipal de Urbanismo de Licenciamento da Prefeitura de São Paulo dá uma ideia de como a região voltou a se tornar interessante para novos empreendimentos imobiliários. O estudo mostra que, no período 2007 a 2016, a região (correspondente à subprefeitura da Sé) foi a segunda com o maior número de lançamentos de apartamentos em SP, com 28,5 mil unidades, perdendo apenas para a Mooca, e à frente de áreas como Pinheiros, Lapa, Santo Amaro e Vila Mariana, revertendo um quadro do decênio anterior (1997-2006), quando o número de lançamentos  de apartamentos Centro de São Paulo foi pequeno em comparação com outras áreas da cidade.  

 

Praça da República

Considerando as diversas sub-regiões que compõem o Centro, o maior destaque no período foi a área da Praça da República, que, no período, registrou uma oferta de 6,4 mil novos apartamentos à venda, seguida de Santa Cecília, Cambuci e Consolação.

“O fluxo de investimentos observados na República representa uma inversão na tendência de décadas de estagnação imobiliária no centro histórico do município (...) essa oferta expressiva de apartamentos no centro SP em uma região da cidade que, por um longo período, mostrou perda de população pode ser um fator de impulso à tendência de repovoamento do centro”, afirma o documento.

"O fluxo de investimentos observados na República representa uma inversão na tendência de décadas de estagnação imobiliária no centro histórico do município".

Denise Bacoccina, cofundadora do A Vida no Centro, uma plataforma de informação e inteligência sobre a região, ressalta que o movimento de renascimento vem ocorrendo de forma gradativa, mas consistente. Começou com os bares da região da Rua Augusta, há cerca de uma década. Em seguida, vieram os restaurantes que hoje são a marca da região – alguns reconhecidos até pelo prestigiado Guia Michellin, como A Casa do Porco, na região da Praça da República. E chega, hoje, a um momento de expansão da chamada economia criativa, com o estabelecimento, por exemplo, de escritórios de arquitetura e empresas de co-working , atraindo um público jovem e dinâmico. “É um movimento que já aconteceu em outras metrópoles, como Nova York e Berlim”, explica.

 

Infraestrutura

Nesse movimento, os novos apartamentos à venda tendem a atrair justamente esse perfil de cliente, que entende os benefícios da infraestrutura da região e que busca justamente as facilidades de ter acesso facilitado a transporte público, bares, restaurantes e outros serviços - caso de profissionais mais jovens e mesmo de jovens famílias. “Antes, o que havia era um público mais velho, que preferiu ficar na região quando o eixo econômico de São Paulo mudou”, avalia Denise. É a revitalização ocorrendo, de fato.

Um exemplo desse novo consumidor é o arquiteto Felipe Rodrigues. Ele possui um escritório na rua Major Sertório, na Vila Buarque, e vive, desde 2014, no bairro de Campos Elíseos. Leva cerca de 15 minutos para ir ao trabalho diariamente. Tendo vivido em Nova York, Felipe avalia que o movimento de volta ao Centro ainda está começando, mas é inexorável. “É visível a mudança acontecendo, com um aumento do interesse pela região”.

Morador e, ao mesmo tempo, conhecedor de processos urbanísticos, Felipe identifica, nesse novo momento da região central, uma característica peculiar: a região, ao mesmo tempo em que possui um aspecto de bairro (na medida em que os moradores se conhecem), está totalmente conectada ao mundo e à nova economia. “É o que de melhor uma metrópole pode oferecer.”

 

Caminho sem volta

Denise, do A Vida no Centro, destaca que os números da região são, por si, um forte argumento para acreditar que a retomada é um processo sem volta. “São 500 mil moradores e 3 milhões de pessoas que passam pela região diariamente. Temos metrô, ônibus e restaurantes cada vez mais modernos. É meio óbvio que essa região não pode ficar desocupada. Demorou para acontecer, talvez pelas crises econômicas, mas é um caminho sem volta”.

A hora de apostar no Centro, portanto, pode ser agora. Entre os diversos empreendimentos da Setin na região, destaca-se o mais recente lançamento, o Downtown Nova República.