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Biodiversidade urbana: hortas e jardins em áreas comuns

Biodiversidade urbana

Direto ao ponto

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Biodiversidade urbana: hortas e jardins em áreas comuns

O tema da sustentabilidade está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas, empresas e do poder público, principalmente grandes cidades onde a biodiversidade urbana vem mostrando que a natureza pode ser uma grande aliada nas mais diversas situações.

Se você ainda não está ambientado com o termo, redigimos um artigo com o objetivo de apresentar o conceito de biodiversidade urbana e sua importância, fornecendo um guia prático para a criação de hortas e jardins comunitários – desde a mobilização até a manutenção. 

Vamos abordar desafios comuns (divisão das tarefas para manutenção, combate orgânico às pragas), apresentar modelos de sucesso em espaços urbanos e destacar também os benefícios educacionais e sociais dessas iniciativas. 

Biodiversidade urbana: o que é e por que importa para a vida nas cidades

A biodiversidade urbana é um tema cada vez mais relevante no cotidiano das grandes metrópoles. Com o avanço da consciência ambiental entre quem vive nas cidades, cresce também o interesse por soluções que integrem natureza e desenvolvimento urbano de forma equilibrada e inteligente.

De maneira objetiva, a biodiversidade urbana se refere à variedade de formas de vida presentes em territórios predominantemente ocupados por pessoas, como os centros urbanos. Ela abrange plantas, animais e demais organismos que coexistem no ambiente construído, formando ecossistemas essenciais para o funcionamento saudável das cidades.

Entre os principais exemplos de biodiversidade urbana estão as áreas verdes planejadas, como parques, praças e jardins, além de espaços que se desenvolvem naturalmente, como margens de rios e lagoas que abrigam diferentes espécies de fauna e flora. Hortas comunitárias e iniciativas de agricultura urbana, cada vez mais presentes nas metrópoles, também contribuem para fortalecer essa rede viva dentro do cenário urbano.

A presença desses espaços é fundamental para a qualidade de vida nas cidades. Áreas verdes contribuem para a melhoria da qualidade do ar, auxiliam na filtragem de impurezas e favorecem o escoamento das águas da chuva, reduzindo riscos de alagamentos. Além disso, ajudam a equilibrar a temperatura local, amenizando as chamadas ilhas de calor e tornando o ambiente urbano mais confortável.

Mais do que benefícios ambientais, a biodiversidade urbana também impacta diretamente o bem-estar das pessoas. O contato com a natureza em meio à rotina urbana favorece a saúde física e mental, contribui para a redução do estresse e da ansiedade e cria espaços de convivência, lazer e prática de atividades ao ar livre.

Estudos apontam que metrópoles com maior presença de biodiversidade tornam-se mais adaptáveis às mudanças climáticas. Ao integrar soluções baseadas na natureza ao planejamento urbano, essas cidades se mostram mais resilientes e preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos, garantindo um futuro mais equilibrado e sustentável.

O passo a passo para criar uma horta ou jardim comunitário

Para promover a biodiversidade urbana, e de quebra ainda promover práticas saudáveis, interação entre os membros da comunidade e poder contar com plantas, flores, hortaliças, legumes e frutas diretamente do pé, confira as dicas de como planejar e implementar uma horta comunitária ou um jardim coletivo:

Passo 1: escolha do local e análise 

Como primeiro passo, é essencial definir o local do plantio. Uma escolha que deve considerar cuidadosamente as condições climáticas do espaço, como: incidência de luz natural, regime de chuvas, ventilação e características do solo. Esses fatores são determinantes para selecionar as espécies mais adequadas, priorizando aquelas que melhor se adaptam ao ambiente e garantem um desenvolvimento saudável e sustentável ao longo do tempo.

Passo 2: mobilização e criação do grupo

Se o nome é horta ou jardim comunitário, é preciso que toda a comunidade se envolva com o projeto, oferecendo ideias, participando do planejamento e de todo o processo de escolhas do que será plantado, do local, de como serão os cuidados, e da divisão de tarefas. O comprometimento é fundamental.

Passo 3: permissões em condomínios e espaços públicos

Muitas vezes grupos de moradores se reúnem para criar hortas ou realizar um paisagismo comunitário dentro do próprio condomínio, em áreas comuns. E isso pode ser extremamente funcional, pois os próprios moradores se incubem de cuidar de uma determinada área, eliminando a responsabilidade do condomínio, e criando uma área produtiva. 

Área essa que pode proporcionar mais beleza, insumos para moradores e funcionários e uma atividade que vai ser capaz de promover a interação dos vizinhos, fomentar relações saudáveis, criar redes de apoio, e melhorar a saúde mental e física de todos os envolvidos, mas precisa de uma autorização oficial para ser utilizada, seja em uma área comum do condomínio ou em um espaço público.

Passo 4: planejamento do espaço e design funcional

Montada a equipe e definido o local com as devidas autorizações de uso, o passo seguinte é desenhar o projeto, fazendo o planejamento do espaço. É necessário definir se vai ser plantado um jardim ou se a opção será pela horta.

Caso a opção seja pelo jardim, o ideal é contar com o auxílio de um paisagista ou alguém especialista em botânica, para que tudo que venha a ser plantado tenha seu desenvolvimento favorecido.

Se a opção for pela horta, é importante pensar nas espécies a serem plantadas, na sazonalidade, no clima, nas condições de iluminação e temperatura, e também nas necessidades dos beneficiados pelo que será colhido eventualmente.

Passo 5: manejo orgânico e manutenção coletiva

Se a compostagem for uma prática utilizada no condomínio, o substrato obtido nesse processo é precioso para o enriquecimento da terra. Caso essa opção não seja viável, existem compostos orgânicos que podem ser utilizados como adubo natural, como cascas de ovo e borra de café, o que contribui para a redução de lixo e fortalece as plantas.

É muito importante estabelecer um cronograma de manutenção, organizado por dias e horários, e inserir o nome de cada participante que vai se responsabilizar pelos cuidados e, caso seja uma horta, a realização da colheita dos frutos e verduras.

Modelos de sucesso de biodiversidade urbana 

Para dar exemplos de como esse tipo de projeto pode ser bem sucedido, separamos algumas iniciativas interessantes:

Hortas em lajes de condomínios

Para quem quer conhecer os projetos de hortas em lajes ou subterrâneas, temos o exemplo da horta no Shopping Eldorado, localizada no telhado verde, que produz muitas hortaliças orgânicas e ainda utiliza os resíduos orgânicos do próprio shopping como adubo, reduzindo consideravelmente a quantidade de lixo.

Outro bom exemplo é a primeira horta subterrânea do Brasil, que está localizada no subsolo do edifício comercial Pátio Victor Malzoni. Inaugurada em 2016, utiliza iluminação LED especial (substituindo a luz solar) e adubo orgânico produzido no próprio local a partir de resíduos de restaurantes, cultivando ervas e hortaliças frescas.

Jardins de chuva e canteiros de permacultura em praças

Tanto os jardins de chuva quanto os canteiros de permacultura são soluções sustentáveis para reduzir os alagamentos, através da absorção da água da chuva pelo solo e o seu  direcionamento ao lençol freático. 

São iniciativas que trazem mais beleza, verde e espécies animais para as cidades, utilizando a vegetação nativa, além de funcionarem como bacias rebaixadas, captando a água de telhados e calçadas, promovendo a irrigação natural das plantas e reduzindo as enchentes.

Pomares urbanos comunitários

Em São Paulo há o programa Pomar Urbano, do Governo do Estado, em parceria com o  EMAE. É um projeto que tem como foco a recuperação da vegetação nas margens do canal do Rio Pinheiros, além de restaurar a mata ciliar e criar um paisagismo utilizando espécies frutíferas nativas da Mata Atlântica, disponibilizando à população seus frutos.

Há também o Projeto Cidades Comestíveis, uma parceria da prefeitura da capital paulista com o Instituto Polis, que tem como objetivo contribuir para a alimentação de famílias em vulnerabilidade através de hortas nas áreas de periferia da capital paulista.

Além do plantio: educação ambiental e fortalecimento de laços

Os projetos de biodiversidade urbana são mais do que plantio de flores ou a criação de uma horta. Eles são capazes de envolver um número grande de pessoas, que recebem outros tipos de benefícios:

Envolvendo crianças e idosos no projeto

Muitas dessas iniciativas estimulam a participação de crianças, que se conectam com a natureza, passam a conhecer mais sobre os vegetais e a consumi-los, e ainda têm a possibilidade de desenvolver suas habilidades manuais.

O mesmo se dá com o incentivo de participantes da terceira idade, que se integram a projetos de plantio e manutenção de hortas e jardins, incentivando a interação com seus vizinhos e criando redes de apoio, além do bem-estar  que o contato com a natureza proporciona.

Educação Ambiental: A Base da Mudança

Os benefícios vão além da obtenção de alimentos orgânicos e gratuitos, pois a educação ambiental é permanente, promovendo um prazer em lidar com a terra, estar sempre conectado à natureza e reconhecer a importância do cuidado com o meio ambiente.

A conscientização da importância de cuidar da natureza, fauna e flora, transforma as pessoas, tornando-as melhores, capazes de compreender como suas ações podem impactar o ecossistema e o futuro do planeta, incentivando a mudança de hábitos.

escrito por
Jornalista, com mais de 15 anos de experiência em produção de conteúdo. Especialista no mercado imobiliário, é entusiasta de temas ligados a estilo de vida, investimentos e tendências, compartilhando dicas com quem quer conhecer mais sobre esses assuntos.
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