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Tendências
19 de Agosto de 2020.

Mercado imobiliário mostra resistência diante da crise e ensaia retomada. Momento pode ser bom para compras

O mercado imobiliário parece ter sido um dos setores menos afetados pela crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. O setor, que vinha em um ritmo forte de retomada no início do ano (antes das medidas de isolamento social) se manteve relativamente resiliente e deverá fechar o semestre com números bastante satisfatórios ante a crise que, a princípio, se anunciava. É o que mostram os números das principais entidades representativas do setor e é o que dizem suas principais lideranças. Num cenário de recuperação e que pode ganhar mais tração no segundo semestre, a avaliação é a de que, com os juros em baixa e o pior da crise já tendo superado (com os índices de desemprego tendendo a cair), o momento é bom para comprar um imóvel.

Os recém-fechados dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), por exemplo, mostram um aumento de 28,9% no volume de financiamento com recursos de poupança na comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo período de 2020, mesmo num cenário de pandemia, com R$ 43 bilhões concedidos para a construção e compra de imóveis no período. Foram a 160,7 mil unidades adquiridas ou construídas, um acréscimo de 24,4%, também na comparação com o primeiro semestre de 2019.

A presidente da entidade, Cristiane Magalhães, observa que houve uma piora na confiança do setor, mas que o consumidor continua adquirindo imóveis, seja pela questão do déficit habitacional, seja pelas taxas de juros, em patamares historicamente baixos ou ainda pelo fato de que essas pessoas simplesmente já estavam programadas para adquirir imóveis.

O presidente do Secovi-SP, Basílio Jafet, tem uma opinião parecida. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele avaliou que o que houve foi mais um adiamento que uma desistência das compras. Embora os dados de vendas da entidade para junho ainda não tenham sido fechados, dados preliminares indicam vendas equivalentes a 85% do esperado para o mês, resultado que considera “espetacular”.

O principal motivo para o impacto ter sido relativamente pequeno parece ser, mesmo, os já mencionados juros baixos. Segundo dados do Banco Central, a taxa média para o financiamento imobiliário chegou, em maio, a 7,16% ao ano, ante, por exemplo, 10,9% no início de 2017.

Os juros baixos provocam, ainda, impacto no mercado imobiliário no sentido de que tornam mais atrativos os investimentos em imóveis para locação. Hoje, com a Selic em 2,15% ao ano (e fundos DI rendendo algo próximo desse patamar), um rendimento em torno de 5% dos aluguéis acaba sendo bastante atrativo.

“Além de os imóveis serem um investimento seguro, hoje a rentabilidade da locação atrai milhares de pessoas provenientes do mercado financeiro, por sua vez muito sensível às mudanças de cenário. Apartamentos mais enxutos em locais centrais da cidade ou perto de metrô se apresentam como uma boa opção para quem quer investir”, avalia Fernando Prando, sócio-diretor da BBZ Imóveis.

Por fim, há o fato de que mesmo com os juros baixos, os preços dos apartamentos à venda têm se mantido relativamente estáveis. Um levantamento da corretora Hedging Griffo mostrou que, em média, os imóveis tiveram uma desvalorização de 25% nas capitais brasileiras.

A equação preços baixos mais juros em queda mais demanda ainda reprimida vem mantendo o setor imobiliário firme diante de uma crise sem precedentes. Falar em “recuperação em V” pode soar um pouco precipitado. Mas os números mostram uma bem-vinda resiliência. E o momento pode ser ideal para compras de apartamentos em São Paulo, bem como em outras regiões.