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Tendências
17 de Março de 2021.

Juros baixos mantém imóveis na mira dos investidores

O mercado imobiliário nunca sai da mira dos investidores. Historicamente é um segmento que resiste bem aos pontos baixos dos ciclos econômicos, não só porque os imóveis, na grande maioria dos casos, se valorizam com o tempo, mas principalmente devido ao seu caráter essencial. Além disso, a taxa básica de juros - atualmente em 2,75% ao ano - tem diminuído a atratividade da renda fixa para investidores.

Projeções realizadas pelo Yubb, plataforma de busca de opções de investimento, mostram que considerando a Selic atual e inflação de 4,60%, a poupança teria rendimento real de -2,56%, Tesouro Selic -2,37%, CDB (médio banco) -1,76%, CDB (grande banco) -2,78% e RDB -1,64%.

 

Mercado aquecido mesmo durante a pandemia

Na contramão desses ativos, o investimento em imóveis se mostra promissor, tanto na expectativa de crescimento do mercado imobiliário como na possibilidade de gerar renda de aluguel. Em relação ao crescimento do setor, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), foram comercializadas no ano passado 51.417 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo, atingindo um novo recorde de vendas, que supera em 4,5% os resultados de 2019, ano em que as vendas totalizaram 49.224 unidades.

A previsão para este ano é de um crescimento entre 5% e 10% em relação aos resultados de 2020. E no quesito locação, comprar um imóvel para alugar pode trazer mais retorno do que investir, por exemplo, R$ 600 mil em um CDB de grande banco.

Para o doutor em Finanças pela FEA USP e sócio fundador da Finted Tech School, Ricardo Humberto Rocha, os imóveis de um ou dois dormitórios têm bastante giro, desocupam rápido e, se o mercado estiver aquecido, podem ser uma boa opção, tanto de investimento como de diversificação de risco.

“É necessário estudar o mercado, encontrar o local correto e negociar preço. Imóvel, o segredo é você comprar bem, porque se você eventualmente vai explorar para aluguel ou em plataformas de locação temporária, como Airbnb, esse é um momento muito bom para isso. Procure, garimpe, é possível encontrar boas oportunidades”, explica Rocha.

Pesquisa recente divulgada pela AssociaçãoBrasileira de Incorporadoras Imobiliárias ( Abrainc) mostra que a Região Metropolitana de São Paulo possui um déficit de 900 mil moradias e para zerar a demanda por novos imóveis, seria necessário produzir, em média, 73 mil moradias por ano até 2030. Trata-se de volume três vezes superior ao produzido atualmente. 

Segundo o economista da DataZap, Pedro Possani, apesar das dificuldades envolvendo projeções de longo prazo, o significativo déficit habitacional na cidade de São Paulo mostra o quanto o mercado imobiliário pode crescer. "Deixando de lado possíveis distorções urbanas, que poderiam prejudicar a valorização dos imóveis, o tamanho do déficit calculado pela Abrainc de fato expressa, da perspectiva da oferta, todo o potencial lucrativo do setor nos próximos anos”, ressalta Possani.

 

Valorização e rentabilidade juntas atraem

Além da valorização do imóvel, a possibilidade de ter uma renda extra mensal por meio de aluguel é um dos motivos que fazem do mercado imobiliário uma das alternativas de potenciais investidores. Possani lembra ainda que do ponto de vista das possibilidades de obtenção de retorno financeiro a partir do imóvel, vale salientar que é possível que o bem se valorize ao longo do tempo, principalmente nas regiões mais disputadas. “É possível também explorar o potencial de rentabilidade do aluguel. Junto disso, vale frisar que os aluguéis também são reajustados conforme a inflação”, afirma.

Outro ponto destacado pelo economista da DataZAP é a baixa histórica da Selic que, numa tentativa do governo de blindar a economia dos efeitos decorrentes da pandemia, dilatou ainda mais a discrepância entre os tipos de investimento. “Em linha com a teoria econômica, em face de um hiato tão substancial entre taxas de retorno, houve uma migração dos investidores mais conservadores. Como esperado, deixaram a renda fixa em direção ao mercado imobiliário, que é visto como um porto seguro”, finaliza.

No mesmo sentido, Reinaldo da Costa Gomes, engenheiro pela Escola Politécnica da USP e especialista em administração contábil e financeira pela Fundação Getúlio Vargas, lembra que como a taxa de juros está muito baixa, é difícil não conseguir um rendimento com a locação de um imóvel melhor do que uma aplicação financeira. “Genericamente falando, hoje, é melhor o rendimento de um aluguel do que aplicar no mercado financeiro”, avalia.

 

Apartamentos studio seguem em alta

Os apartamentos studio caíram no gosto dos consumidores, pois geralmente estão localizados em regiões centrais, próximos à linhas de metrô e ônibus e cercados de ótima infraestrutura quando o assunto é comércio e serviços.

Segundo a Órulo, plataforma de monitoramento de mercado imobiliário,  dos 13.861 apartamentos novos vendidos nos dois primeiros meses deste ano, 26% foram unidades de 0 e 1 dormitórios, os preferidos dos investidores. Os studios representaram 13% do total vendido.

Outro levantamento, realizado pelo Imovelweb para comparar as buscas por imóveis no estado de São Paulo em fevereiro de 2020 - quando ainda não havia os efeitos da pandemia - com fevereiro de 2021, aponta crescimento expressivo na busca por residências sem dormitórios. Na Região Metropolitana de São Paulo, os dados do portal mostram que houve um aumento de 42% na procura por apartamentos em SP sem quartos, ou seja, kitnets e studios.

A combinação de juros baixos com demanda ainda reprimida, portanto, é o fator que torna o mercado imobiliário ainda mais seguro e rentável diante do cenário atual. Investir em “tijolo” nunca foi tão favorável.